Operação resgata cinco pessoas de situação análoga à de escravo em Rondonópolis

O que Motivou a Fiscalização

Na última segunda-feira (22), uma operação de fiscalização realizada por Auditores Fiscais do Trabalho da Superintendência Regional de Trabalho e Emprego de Mato Grosso resultou no resgate de cinco trabalhadores que estavam em condições análogas à escravidão. A ação foi desencadeada após uma denúncia recebida na Gerência Regional do Trabalho, que alertava sobre situações degradantes em uma empresa de reciclagem localizada em Rondonópolis.

Condições Degradantes de Trabalho

A equipe de fiscalização constatou diversas irregularidades significativas durante a operação. Os trabalhadores estavam operando máquinas antigas e deterioradas, sem a devida manutenção, e sem utilizar Equipamentos de Proteção Individual (EPIs), o que expunha seus saúde e segurança a riscos graves.

Relatos de Choques Elétricos e Segurança

Além da falta de EPIs, foram reportados casos frequentes de choques elétricos durante a operação dos equipamentos. Essa situação foi um dos principais pontos levantados pelos trabalhadores, que viviam sob constante medo de acidentes e lesões.

Operação resgata pessoas de situação análoga à de escravo em Rondonópolis

Jornadas de Trabalho Extenuantes

As jornadas de trabalho eram exaustivas, iniciando-se às 5h30 e frequentemente se estendendo até após as 22h. Essa carga horária excessiva, eloquentemente narrada pelos trabalhadores, ressoou durante a fiscalização, levantando preocupações sobre o bem-estar físico e mental das vítimas.

Aliciamento e Promessas Falsas

A investigação revelou que alguns dos trabalhadores resgatados foram aliciados para o emprego com promessas enganosas de boas condições de trabalho e remuneração justa. Essa prática desleal foi um fator crucial que levou à exploração dos trabalhadores.



Condições de Alojamento Inadequadas

Os alojamentos fornecidos aos trabalhadores eram igualmente alarmantes. Os relatos mostraram que as instalações eram precárias e inaceitáveis. Os trabalhadores compartilhavam banheiros e viviam em quartos sem armários ou ventilação adequada, o que gerava um ambiente insalubre e dignidade mínima.

Fornecimento de Água e Alimentos

O fornecimento de água potável era irregular, e a água consumida pelos trabalhadores era inadequadamente transportada em garrafas PET. A situação nutricional também era alarmante, uma vez que as refeições consistiam principalmente de restos de alimentos de feiras livres, sem a devida higiene ou segurança alimentar.

Assistência e Proteção aos Trabalhadores

Após a operação, a equipe de fiscalização assegurou que os trabalhadores resgatados recebessem a assistência necessária. Os três trabalhadores que vieram do interior do estado foram levados a um hotel até que a logística para seu retorno às cidades de origem fosse organizada, enquanto todos foram habilitados ao Seguro-Desemprego do Trabalhador Resgatado.

Consequências para os Empregadores

Conforme o chefe da seção de Fiscalização da SRTE-MT, o auditor fiscal do Trabalho Amarildo Borges, após realizar o pagamento de direitos trabalhistas devidos aos trabalhadores e finalizar seu processo de retorno, um relatório fiscal será elaborado. Esse documento servirá para a formalização do auto de infração, caracterizando a exploração análoga à escravidão. A partir disso, iniciar-se-á um processo administrativo, garantindo ao empregador o direito ao contraditório e ampla defesa. Eventualmente, o nome do empregador poderá ser incluído na chamada “lista suja” do Ministério do Trabalho, composta por aqueles que exploraram trabalhadores em condições análogas à escravidão.



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